Aptidão Agrícola do Maranhão


Material e Métodos

Limites

O Estado do Maranhão apresenta uma extensão territorial de 331.983 km2, localiza-se na Região Nordeste, no Meio-Norte, entre os paralelos 1º 01’ 00’’ e 10º 21’ 07’’ de latitude Sul, e os meridianos de 41º 48’ 30’’ e 48º 50’ 15’’ de longitude, a oeste de Greenwich. Seu limite natural ao norte é o Oceano Atlântico, ao sul o Estado do Tocantins, a oeste os Estados de Tocantins e Pará e a leste o Estado do Piauí.

Pedologia

O trabalho apresenta uma classificação da aptidão agrícola das terras desse Estado, calcadas em informações sobre a pedologia e a declividade da superfície. O mapa pedológico utilizado foi elaborado por pesquisadores da Embrapa publicado no trabalho de Jacomine et al. (1986) .

O Estado do Maranhão, por sua extensão, apresenta grande variabilidade de solos. As principais ordens de solos identificadas, segundo o mapa pedológico do estado (JACOMINE et al., 1986), são: argissolos (antigos podzólicos), cambissolos, gleissolos, latossolos, neossolos flúvicos (antigos aluviais), neossolos litólicos (antigos litossolos), neossolos quartzarênicos (antigas areais) quartzozas, nitossolos (antigas terras roxas e podzólicos por cerosidade), planossolos, plintossolos, vertissolos e solos indiscriminados de mangues. Os solos predominantes são distróficos, com ocorrências de eutróficos em várias regiões da área de estudo. Tal característica indica que a maioria deles necessita de calagem para neutralizar a acidez e elevar os teores de Ca2++ e Mg2++, como também de fertilizantes de maneira geral.

Por outro lado, como o relevo local dominante favorece a mecanização, essas práticas são de execução relativamente simples, quando adotadas as tecnologias adequadas e os solos forem profundos sem limitações de pedregosidade, rochosidade, camadas cimentadas ou concreções. A classe de solo dominante é a dos latossolos, em relevo pouco declivoso.

Declividade

O Estado do Maranhão apresenta-se como uma grande plataforma inclinada na direção sul-norte com mergulho no oceano Atlântico. Na porção sul destacam-se as chapadas e na norte uma área rebaixada. Jacomine et al. (1986) apresenta de maneira simplificada as seguintes formas do relevo no Maranhão: chapadas altas e baixas, superfícies onduladas, grande baixada maranhense, terraços e planícies fluviais, tabuleiros costeiros, restingas e dunas costeiras, golfão maranhense e baixada litorânea.

As informações sobre a declividade da superfície foram derivadas de um modelo digital de elevação construído a partir de dados de altitude em grade de 90 m, obtidos pela missão de levantamento topográfico por radar sub-orbital realizada pela National Aeronautics and Space Administration (NASA) por meio da nave Endeavour (“Shuttle Radar Topography Mission” - SRTM) (RABUS et al., 2003; SOUZA FILHO; 2003; FONI; SEAL, 2004).

Com o advento da missão de levantamento altimétrico por radar realizada no ano 2000 pela NASA, as grandes lacunas em termos de altimetria no Brasil puderam ser preenchidas. Os dados foram adquiridos nas bandas X e C e as informações altimétricas da superfície foram processadas através de interferometria com a geração de modelos digitais de elevação bastante precisos considerando-se uma escala global, com 16 metros de precisão vertical.

A nave Endeavour transportou o radar de abertura sintética (SAR) com capacidade interferométrica e, através da operação de sensores nas bandas específicas, os sinais emitidos interagiram com a superfície e retornaram ao sensor, sendo captados por antenas separadas em uma distância fixa na plataforma (baseline). Assim, essa separação dos sistemas de antenas no espaço, com conhecimento das posições relativas das mesmas, permite a geração da topografia (ZYL, 2001).

A correção do MDE SRTM, no que diz respeito às áreas sem informação (ou com valores nulos), foi realizada pelos técnicos da FAO, que também fizeram a inserção de planos nas áreas de lagos e a eliminação de picos espúrios.
Os dados foram baixados do Global Landcover Facility (GLCF) em forma de tiles mosaicados para todo o Brasil, nos quais foram inseridas as informações interpoladas pela FAO, ou seja, os dados brutos do SRTM receberam valores de pixels referentes às áreas sem informação, mantendo-se o restante.

O processo de correção global efetuado pela FAO foi realizado considerando-se as seguintes etapas metodológicas:

(a) As áreas de oceanos foram determinadas a zero;
(b) Os lagos maiores que 600 metros de comprimento foram preenchidos (FILL) com um valor constante de altitude;
(c) Os rios maiores que 183 metros de largura foram aprofundados e as ilhas com eixo maior que 300 metros ou com relevo superior a 15 metros foram identificadas;
(d) Os pixels das bordas foram ajustados;
(e) Nas áreas vazias, com número de pixels contínuos igual ou inferior a 16 pixels, os mesmos foram interpolados a partir dos valores da vizinhança e nas áreas vazias com número superior a 16 pixels foram interpolados usando SRTM30 (GTOPO30 melhorado com o SRTM);
(f) Os picos ou pontos que excederam 100 metros foram eliminados;
(g) Foram geradas curvas de nível com eqüidistância de 10 metros a partir do SRTM, previamente tratado;
(h) As curvas foram utilizadas em uma interpolação usando o módulo Topogrid do Arc/INFO (os parâmetros e tolerâncias não foram informados).
(i) Os dados do MDE corrigido foram usados para preencher as áreas vazias no MDE original.

A partir do MDE corrigido foi efetuado o recorte dos dados para o Estado do Maranhão, utilizando base vetorial. O MDE do Maranhão foi processado para a derivação das declividades usando o comando Slope do ArcGIS 9.0, o qual trabalha com uma máscara de 3x3. Posteriormente, o mapa com as declividades foi suavizado com um filtro de média e reclassificado nas classes apresentadas na tabela.

Classes de declividade e área ocupada no Estado do Maranhão:

Nome da Classe Declividade (%) Área (%)
Plano 0-3 40
Suave ondulado 3-8 41
Moderadamente ondulado 8-13 10
Ondulado 13-20 5
Forte ondulado 20-45 4
Montanhoso ou escarpado >45 <1

 

O mapa com as declividades reclassificadas foi então refinado, eliminando-se regiões contíguas das classes com áreas inferiores ou iguais a 20 hectares. Esta etapa foi importante para eliminação de confusões provocadas por feições de caráter local, como por exemplo a influência do dossel de áreas de reflorestamento que foram captadas pelo sensor como variações altimétricas do relevo.

Aptidão Agrícola

O método utilizado para a avaliação da aptidão agrícola das terras foi o descrito por Ramalho Filho e Beek (1994), denominado Sistema de Avaliação da Aptidão Agrícola das Terras e elaborado com base em experiências brasileiras para a interpretação de levantamento de solos e em trabalhos validados internacionalmente.

Esse sistema considera cinco fatores limitantes à utilização das terras: deficiência de fertilidade, deficiência de água, excesso de água, susceptibilidade à erosão e impedimentos à mecanização, avaliados a partir de atributos do solo, do relevo e do clima, com base nas fases de vegetação natural, principalmente. A partir desses fatores, definem-se quatro classes de aptidão agrícola das terras (boa, regular, restrita e inapta) segundo três níveis de manejo (baixo nível tecnológico, nível tecnológico médio e alto nível tecnológico) e quatro tipos de utilização (lavoura, pastagem plantada, silvicultura e pastagem natural). A simbologia aplicada para cada classe de aptidão agrícola é apresentada na Tabela

Simbologia correspondente às classes de aptidão agrícola das terras.

Classe de aptidãoagrícola Tipo de utilização
Lavoura Pastagem plantada Silvicultura Pastagem natural
Manejo A Manejo B Manejo C Manejo B Manejo B Manejo A
Boa A B C P S N
Regular A b c p s n
Restrita (a) (b) (c) (p) (s) (n)
Inapta - - - - - -

 

As classes de aptidão definidas pelo sistema refletem as limitações para a produção sustentada de um determinado nível de utilização, nas condições de manejo considerado. Essas limitações não são importantes para as terras consideradas de aptidão boa, são moderadas para a classe de aptidão regular e fortes para a classe restrita. Nas terras consideradas inaptas, as condições desfavoráveis excluem a possibilidade de produção sustentada. Em terras com aptidão boa, as poucas restrições nem reduzem significativamente a produtividade, nem aumentam a relação custo/benefício e a utilização de insumos acima de um nível aceitável. Já as limitações das terras com aptidão regular reduzem a produtividade ou os benefícios e eleva a necessidade do uso de insumos a fim de aumentar as vantagens globais a serem obtidas do uso das terras. As terras da classe de aptidão restrita apresentam limitações que reduzem ou a produtividade ou os benefícios, ou então aumentam a necessidade do uso de insumos de tal maneira que os custos só seriam justificados marginalmente.

Os três níveis de manejo considerados pelo sistema, baixo nível tecnológico, nível tecnológico médio e alto nível tecnológico, são representados, respectivamente, pelas letras A, B e C. Essas letras podem aparecer na simbologia grafadas de diferentes formas (maiúsculas, minúsculas ou minúsculas entre parênteses) de acordo com as classes de aptidão das terras onde cada nível é adotado. Os níveis tecnológicos são caracterizados pela aplicação de capital e de resultados de pesquisa para manejo, melhoramento e conservação das condições naturais das terras e pelas práticas agrícolas adotadas. No nível de manejo A, a aplicação de capital é pouca e as práticas agrícolas são fundamentadas em trabalho braçal, tração animal e implementos agrícolas simples. No nível de manejo B, a aplicação de capital e resultados de pesquisa é modesta e as práticas agrícolas podem empregar a calagem, adubação NPK e até o preparo mecanizado do solo. O nível C pressupõe intensa aplicação de capital e resultados de pesquisa, com a motomecanização presente nas diversas fases das operações agrícolas.

As terras consideradas passíveis de melhoramento parcial ou total, mediante a aplicação de fertilizantes e corretivos, ou o emprego de técnicas como drenagem, controle da erosão, proteção contra inundações, remoção de pedras etc., são classificadas de acordo com as limitações persistentes, tendo em vista os níveis de manejo considerados.

A representação dos grupos de aptidão agrícola é feita com algarismos de 1 a 6, em escalas decrescentes, segundo as possibilidades de utilização das terras. As limitações que afetam os diversos tipos de utilização aumentam do grupo 1 para o grupo 6, diminuindo conseqüentemente as alternativas de uso e a intensidade com que as terras podem ser utilizadas. Os grupos 1, 2 e 3 são aptos para lavouras; o grupo 4 é indicado, basicamente, para pastagem plantada; o grupo 5 para silvicultura e/ou pastagem natural; e finalmente o grupo 6, reunindo terras sem aptidão agrícola, não apresenta outra alternativa senão a preservação da natureza.

Os subgrupos de aptidão agrícola indicam as variações que podem existir dentro de cada grupo, expressando o resultado como o conjunto da avaliação da classe relacionada com o nível de manejo e indicando o tipo de utilização das terras aconselhado. O subgrupo 1(a)bC, por exemplo, representa terras com aptidão restrita para o nível de manejo A (grupo 3), regular no nível de manejo B (grupo 2) e boa no nível de manejo C (grupo 1). O algarismo 1, representativo do grupo, indica a melhor classe de aptidão entre as três classes atribuídas ao subgrupo.



Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Centro Nacional de Pesquisa de
Monitoramento por Satélite
Copyright © 1994-2008 - Atualizado em 10-03-2008
Embrapa Monitoramento por Satélite
Av. Soldado Passarinho, 303
Fazenda Chapadão CEP 13070-115 Campinas, SP, Brasil
Fone: +55 (19) 3211-6200 Fax: +55 (19) 3211-6222
.